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A dor da mãe solteira


Sabemos o quanto a maternidade afeta a vida social, profissional e familiar da mulher. Muitas vezes, não estamos preparadas para todas as mudanças e somos atingidas pela realidade de estarmos sós e com um filho nos braços.

Há muitos casos de mães solteiras super resolvidas e felizes. Algumas até optaram por gerar e criar os filhos, biológicos ou adotivos, sozinhas. Especialmente quando a situação financeira da mãe solteira está plenamente resolvida, não há muitos obstáculos.  No entanto, a realidade da maioria das mães solteiras, por opção ou não, é muito dura. 

Quando passamos pela gestação nos damos conta de como a natureza é sábia e como é importante ter uma companhia (não só para gerar o bebê!). Começamos a pedir mais ajuda e a planejar melhor nosso cronograma para evitar desgastes desnecessários. Nessa fase, realizar as pequenas tarefas do dia-a-dia se tona missão impossível, e quando o bebê nasce, mais ainda. A maternidade é um exercício de supressão do orgulho, pois não podemos nos dar ao luxo de negar qualquer ajuda. Estamos emocionalmente e fisicamente vulneráveis. Vulneráveis e esgotadas. Não temos tempo para sofrer, mas estamos sofrendo. 

Aprendemos a arte da paciência, da doação e da preservação do bebê, mas nos anulamos temporariamente até compreendermos que nos tornamos ainda mais fortes e sábias.  A autopreservação vem na fase seguinte, somente depois que todos os hormônios e a dor da separação passam.

Tanto a mulher que foi "abandonada", quanto a mulher que optou por se separar durante a gestação, ou após o nascimento do bebê, sofrem. A sensação de abandono e desamparo, podem marcar o bebê ao longo da  vida, no entanto, pode ser uma vantagem ser criado por uma mulher forte, independente e que supera suas dificuldades. É importante que a mãe solteira crie sua rede de proteção e que opte por morar em local tranquilo e seguro, perto do trabalho e da creche.

A preparação para voltar ao mercado de trabalho é outro desafio na vida da mãe solteira, já que até a mãe casada passa por dificuldades! A sociedade ignora a vulnerabilidade em que se encontram as mulheres que querem trabalhar e não são aceitas por terem filhos. Imagine o que é criar um filho sem trabalho, sem perspectivas, sem o apoio? Muitas vezes são pessoas qualificadas, com experiência prévia e que querem muito uma oportunidade! Não querem ouvir "E se seu filho ficar doente?", "O pai ajuda?", "Você pretende ter outro?". 

Apostar na mãe solteira é a certeza de que encontrará alguém que sabe dar valor a uma oportunidade de criar uma criança com dignidade. Enquanto milhares de empresas buscam se autopromover com boas ações sociais ou ambientais, esquecem-se que teriam uma excelente oportunidade de investir em creches para suas funcionárias, dando apoio efetivo para que elas possam desenvolver-se e melhorar as condições de suas famílias. Para as empresas de pequeno porte, pequenas políticas organizacionais resolveriam o problema.
Se o futuro está nas mãos das crianças de hoje, o que estamos fazendo para ajudar as mães que cuidam hoje dos adultos de amanhã?

No amor, a mãe solteira também enfrenta alguns desafios. Se passou por uma situação de abandono, pode sentir muita dificuldade em conhecer alguém novo. Quando é mãe de menina, há uma preocupação real de colocar um novo homem em casa.  Se conhece alguém com uma situação financeira melhor, é interesseira. Quando está aberta a um novo amor, pode ter dificuldades em ser levada á sério. Mas porquê?

Sempre é possível um recomeço. Sem julgamento, sem preconceito. Precisamos rever nossos conceitos.





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