Se tem uma figura que não se destaca muito nesse cenário de gestação/parto é o pai.
Seja por questão cultural, filosófica ou o que quer que seja, pouco se fala deste personagem.
Infelizmente, muitas vezes nós não lhes damos o devido espaço, outras vezes eles não se interessam por ocupar o que lhes é de direito. Porém na hora em que percebemos como cada um tem seu lugar especial, todos poderão beneficiar essa vidinha que está chegando.
Há uma lei federal (Nº 11.108, de 2005) que permite a presença de um acompanhante, escolhido pela parturiente, durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. É de conhecimento geral que a presença deste acompanhante favorece o processo fisiológico, faz com que a parturiente se sinta mais segura na presença constante de alguém de sua confiança deixando o trabalho de parto fluir espontaneamente, etc. Mas vai além disso! Ainda falta a compreensão de que o pai não é um acompanhante... ele é o pai.
Ele tem o direito (e dever) de comparecer ao nascimento de seu filho - Se ele ou a mãe não querem a presença dele, é outra história - mas partindo do ponto de que o pai tem interesse em seu bebê, o seu envolvimento e a criação de vínculo com o recém-nascido são muito importantes.
Nos esquecemos de reservar um tempo para que o pai construa seu próprio vínculo com seu bebê. Na melhor das hipóteses reservamos o direito ao corte do cordão, vez ou outra (quando a gente não esquece e é viável) permitimos que ele seja o primeiro a amparar o bebê, e o responsável pela apresentação aos familiares... e nos damos por satisfeitas com essa generosidade no ato de incluir o pai no nascimento do filho.
Mas eles poderiam (e deveriam) estar participando e construindo vínculos com o bebê desde a preparação para o parto, planejando e provendo o necessário para o nascimento... e também tendo seu momento particular no nascimento!
Reservar um espaço para que a experiência da paternidade e da maternidade seja vivida de maneira compartilhada e prazerosa gera muita aprendizagem para ambos e fortalece ainda mais esta família em nova constituição.
Os pais talvez não possam contar apenas com os hormônios para passarem a amar instintivamente (na maioria das vezes) as suas crias. Eles demandam de mais tempo e habilidades para construir este elo. A mãe pode começar a estabelecer uma relação com seu bebê durante a gestação ou ali mesmo no ato do nascimento, mas o pai demanda um pouco mais de dedicação para que isso aconteça.
A verdade é que o pai tende sempre a ser deixado de coadjuvante. A começar pela constituição federal que, agora “melhorou” e oferece 5 loooooongos dias para o pai se ausentar do trabalho após o nascimento do bebê (antigamente era 1 só). E ainda segundo a lei, essa ausência é para “fazer o registro de seu filho enquanto a mãe está com necessidade de repouso após dar à luz”. Quando o próprio governo não espera que o pai faça muito mais do que isso, como seremos nós, pobres mortais, que o fará?
Felizmente as coisas estão mudando e hoje já temos visto uma geração de pais informados, que tem acompanhado ativamente suas parceiras, que são verdadeiros parceiros no parto e tem feito até suas próprias rodas de conversa para pais para compartilharem suas experiências.
Texto de Renata Senna Doula mãe de 3 que, no nascimento do primeiro filho mandou o pai ir embora para casa pois ele não estava ajudando em nada. E no terceiro filho entendeu que ele não precisava “ajudar”... ele é o pai. É só deixá-lo ocupar o seu lugar... Nada como um filho após o outro para nos fazer entender as coisas.

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